▬ Doutor, estou com algum problema, tem coisas que não consigo lembrar, dias que parecem ter sumido da minha cabeça...
Pobre coitada há um bom tempo que ela se sente assim, talvez eu tenha pego a pessoa errada, talvez, afinal ela queria compartilhar isso com todo mundo o que me obrigava a me esconder quase todo momento agora, um saco, malditos faladores. Pelo menos sei que ninguém sabe qual o problema dela, por enquanto, acho que deveria acabar com essa brincadeira logo, mas de fato não sabia como, quem sabe acabar com todos que sabiam, ou apenas com ela?
Ela, com certeza a resposta era ela, mas precisava voltar, voltar uma última noite, uma noite que com certeza seria memorável para mim, tinha até mesmo o alvo, um alvo perfeito, um alvo que tentou ajudar a minha pobre garota, um padre. Um que tentou me tirar de dentro dela, mas nada, nem sequer cócegas foram feitas em mim, ele... Apenas me provocou, muito, ninguém me tira do corpo de minha vítima, maltido padre e maldita garota tentando me expulsar. Enfim, a noite chegou.
Eu me aproximava dela deitada na cama, meus passos faziam um barulho no assoalho do quarto dela, como se rangessem a cada passo dado. Finalmente cheguei ao lado da cama ela parecia tão calma ali deitada e provavelmente procurava o que tinha acontecido quando eu estava dentro dela, não acharia nada, apenas um vazio, um vazio na escuridão. Enfim coloquei minhas mãos pesadas nela. Os olhos que antes azuis e dormentes abriram fortemente de cor negra, eu estava no comando agora.
Colegas meus lá de baixo diriam que eu sou muito louco de ficar brincado com esses humanos, mas acho bom, ver suas dores, escutar seus gemidos e pedidos de misericórdia, gosto de vê-los totalmente controlados por mim, é algo que me da prazer.
Enfim eu andava na noite sem me preocupar muito com as pessoas reparando nos meus olhos, afinal seria meu último dia naquele corpo. E finalmente cheguei naquela igreja que tentaram me mandar embora. Bati forte na porta da frente trancada, uma força que sem mim aquele corpo nunca teria. Em pouco tempo o padre que provavelmente ainda estava acordado, devido sua batina vestida.
▬ Catarina! Não te esperava tão tarde o que se passa?
▬ VOCÊ ME IRRITOU PADRE!!!!!
Quando voltei meus olhos para o padre ele simplesmente pulou para trás de medo daqueles olhos negros e agora muito raivosos. Sem perder tempo ele tentou rezar, dentro daquela casa, porém logo agarrei o pescoço dele, num impulso forte, que nos levou até o pé do altar, onde ele pedia perdão e tentava rezar mais, já quase perdendo todo o ar sai de cima dele e alguns passos para trás fiquei fitando.
▬ Agora ninguém pode te ajudar!
▬ QUEM É VOCÊ DEMÔNIO MALDITO?! - depois dessa pergunta nada mais veio a cabeça dele apenas cenas da vida dele, seu pai drogado, sua mãe morta de câncer, crianças que ele tentou ajudar passando fome.
▬ EU SOU O HORROR!
Então finalmente após muitos gemidos pedindo para parar com aquilo, quando ele quase implorava para morrer eu o levantei até a cruz central, onde a imagem de cristo estava ali. E lá o crucifiquei também, com pedaços de madeiras dos bancos.
Não demorou muito parar ele começar a gritar e finalmente pedir pelo que eu queria ouvir, a morte.
com esse pedido as cores do local sumiram, se tornando cinzas ou pretas, tristes e mortas e assim um incêndio se iniciou, fogo de meu lar, e ali sai daquele corpo, o corpo da pobre garota voltando por aquela passagem ardente para minha casa. Deixando o padre e a menina serem carbonizados pelo fogo que jamais alguém conseguiria explicar.
____________________________________________________
-Tá ai, o conto de uma possuída, fico imaginado como deve ser horrível passar por isso (se é que existe rs), bem espero que gostem. Afinal, o mundo não é belo.